Sitio Oficial del Festival de Literatura de Copenhague 2016

Georg Wink

Georg Wink

Georg Wink, Alemania, 1973. Profesor Asociado de estudios portugueses y brasileños en el Instituto de Inglés, Alemán y Lenguas Románicas (ENGEROM) de la Facultad de Humanidades de la Universidad de Copenhague. Brasil ha sido el foco de sus actividades de investigación desde sus estudios de grado. Se ha concentrado en la historia cultural y social del Brasil, en textos y contextos, utilizando siempre un enfoque interdisciplinario e integrando estudios sociales, estudios culturales y estudios literarios. Ha examinado temas específicos sobre el papel crítico de la prensa alternativa al régimen durante la dictadura militar (tesis de maestría) y las construcciones discursivas de identidad colectiva y lugares de memoria en ensayos, textos literarios y de construcción nacional institucionales (tesis doctoral). Durante su investigación posdoctoral estudió las relaciones culturales sur-sur, en especial las transferencias de las ideas entre América Latina y Asia del Sur y la creación de una epistemología del sur a través de las relaciones intelectuales. Actualmente trabaja en las relaciones de «raza» en Brasil y la acción afirmativa de los cómics brasileños y los dibujos animados como una forma de superar la dependencia cultural. También investiga en los últimos trabajos en la literatura brasileña contemporánea y en las representaciones de la favela brasileña desde la perspectiva del análisis crítico del discurso. Ha estado investigando constantemente en las teorías de la interculturalidad y transculturalidad, por ejemplo, en la aplicación de lo referente a la «literatura migrante», así como en la teoría de la traducción y la traducción literaria.

 

O escritor bávaro-brasileiro Zé do Rock, nômade quixotesco, terror da ortografia e da saúde pública

Zé do Rock nasceu e se criou no Brasil, mas, ainda adolescente, se lançou ao mundo e nunca mais parou de viajar. Segundo a informação biográfica que consta no seu site www.zedorock.net, viajou, até o momento presente, orgulhosos 200.000 km de carona e visitou 139 países. Sobre estas viagens, publicou seis livros, com exceção de um, todos escritos em alemão e publicados na Alemanha, país para o qual costuma voltar das suas viagens e onde fixou residência. O fato de Zé do Rock escrever ficção numa língua que apenas aprendeu enquanto adulto é notável e o enquadra no grupo pequeno de escritores verdadeiramente migrantes, no sentido mais restrito. Um dos livros, Zé do Rock – o erói sem nem um agá, foi re- escrito em português e publicado em 1997 e, portanto, será o centro da análise. O livro não apenas conta as viagens do autor pelo mundo, mas introduz, em cada capítulo, uma mudança ortográfica ou gramatical, tanto na versão alemã, quanto na versão portuguesa, que são aplicadas de maneira disciplinada nos capítulos conseguintes. O resultado dos esforços são as variantes “ultra-alemão” e “brazileis”, respectivamente. A motivação é simplificar a língua, torná-la mais lógica e aproximar a variante culta à coloquial brasileira; um projeto antigo entre intelectuais brasileiros. Em relação aos relatos de viagem, que providenciam a trama do livro, mostra-se uma outra qualidade do brazileis, que é a sua flexibilidade e capacidade de se adaptar, igual como um camaleão, à ortografia e à semântica da língua local. Em termos de conteúdo, os relatos (alguns também disponíveis no blog “Terra Gaga: Around la planeta co Zé do Rock”, atualizado constantemente) representam uma subversão incessante dos estereótipos nacionais pelo exagero irônico ou pela apresentação rebuscada de contra-  exemplos. Esse engajamento ainda não é o que eu chamo de quixotesco, pois a desconstrução de estereótipos traz o efeito de iluminar o lado contrário do tido como “típico”; e Zé do Rock faz questão de apresentar provas em forma de material estatístico. Verdadeiramente quixotesca é a luta que vem travando contra as campanhas e leis antifumo. Não só no seu livro com o título incomum A cada segundo morre um nao fumante, publicado apenas em alemão, em 2009, mas também na campanha (essa também em português) no seu outro blog http://www.zedorock.net/smauki. Deixando de lado a questão de saúde pública e pensando apenas no aspecto político, por mais descabida que esta campanha pareça ser, um quê de verdade tem, pensando na quantidade e no patamar que as leis proibitivas em geral alcançaram num mundo cada vez mais seguro, o que, segundo Zé do Rock, profecia o advento de uma nova idade média.

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